Ronaldo Grossman | M E I A - N O I T E
de 01/05 até 28/05

Para sua individual na Galeria Rabieh, a paulistana Andrea Rocco não poupou esforços: além de cerca de dez pinturas e mais de cinquenta trabalhos em papel, 1.300 desenhos forrarão as paredes do espaço expositivo principal da galeria, criando uma espécie de papel de parede. Intitulada Beautify, a mostra tem curadoria de Angélica de Moraes e vernissage dia 18 de novembro. A visitação se estende até 19 de dezembro.   Em um procedimento tipicamente pop, Andrea trabalha por apropriação de imagens, captadas de diferentes períodos históricos, sem distinção entre fontes da cultura de massas ou da História da Arte, elaborando um léxico que ela mobiliza para diferentes suportes e linguagens. Muitas das figuras presentes em seu “papel de parede”, por exemplo, reaparecem nas telas, aquarelas e outros trabalhos sobre papel, todos criados através de procedimentos de aglutinação e sobreposição, denunciando uma compreensão ampliada da colagem. No caso das pinturas, essa característica é exacerbada pelo uso de tinta acrílica e a óleo, o que cria camadas de profundidades distintas dentro do espaço pictórico. É essa particular lógica operacional que nos permite interpretar o espaço expositivo maior, coberto por seu “papel de parede”, como uma grande obra instalativa, em que as camadas de colagens têm a potência de ocupar virtualmente o espaço tridimensional.   O segundo espaço expositivo é dedicado a trabalhos em papel de grandes e médias dimensões, além de interferências sobre tapeçaria. Nesta sala, ao léxico característico da artista juntam-se stickers, peças de futebol de botão e até uma citação das personagens de Norman Rockwell, acentuando o caráter irônico de todo conjunto. Parte importante desse segmento são as aquarelas sobre gravuras do século 18 do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira. Como observa Angélica de Moraes em seu texto crítico para a mostra, “Andrea Rocco nos remete à mudança de percepção ocorrida na contemporaneidade, quando nos maravilhamos e angustiamos com a enorme expansão espaço-temporal da produção e acúmulo do conhecimento aderido às imagens e suas leituras. Nossa percepção de mundo agora é necessariamente fragmentária, contingente, articulada para um momento fugaz que logo será outro. Ao articular esses fragmentos, Andrea Rocco aciona um fino humor e nos convida a também encontrar nexos próprios, mutáveis, sedutoramente cambiantes como um caleidoscópio”.