Titouan Lamazou | ERRANTES
de 05/05 até 25/05
Curador Eder Chiodetto
Errar por territórios desconhecidos, desertos, metrópoles, vilarejos ermos, na ânsia de encontrar um lugar para chamar de seu ou simplesmente pela convicção de que Navegar é preciso, viver não é preciso", como nos lembra o poeta Fernando Pessoa. A deriva como uma opção ou condição de vida. O artista visual Titouan Lamazou, cidadão do mundo e peregrino por natureza, passou os anos recentes em contato com populações nômades e refugiados em diversos países africanos, no Afeganistão, na Sibéria, Cisjordânia dentre outros. Dessa sua experiência-errância, surgiu uma nova série de trabalhos ampliados em grande formato, agora reunidos na mostra "Errantes". As imagens, que chegam a até três metros de largura, fazem com que o registro sofra uma profunda mutação por conta da escala: não se trata mais de imagens que se limitam a "reportar" um tempo- espaço específico, mas sim, de cenas pelas quais somos envolvidos até o ponto de nos sentirmos parte delas. Entramos em relação com o lugar e as pessoas por um curioso processo de interação, que difere muito da experiência de olhar imagens em pequena escala. Tal efeito é reforçado também pela incrível qualidade pictórica das imagens de Titouan. Realizadas com câmeras de altíssima resolução, as imagens mesmo ampliadas em escalas descomunais, resultam numa qualidade pictórica impressionante. O grão da areia, nas imagens de desertos, por exemplo, ganham uma materialidade incomum. Esse conjunto de obras reunidas em torno da mostra "Errantes", tem um viés antropológico que tende a desvendar sutilezas culturais e uma espécie de beleza que se extrai da harmonia das coisas mais simples. O que é essencial para se viver? Os povos nômades, percebemos nas imagens, tendem a viver com o mínimo que se pode carregar pelas estradas vida afora, mas nem por isso deixam de lado a beleza, a composição luxuosa de estampas e cores em suas casas-tendas, por exemplo. Em outros momentos somos levados a cenários e paisagens atemporais, que remetem à cenas bíblicas. Essa nova mostra de Titouan Lamazou tem o poder de nos desacomodar de conceitos tolos que conectam beleza com aparência ou felicidade com riqueza. A vida pode ser uma aventura desenraizada. E viver pode ser uma experiência sem limites geográficos ou dogmáticos.